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Métodos alternativos de redução de ouro e prata

O refino de metais consiste em várias etapas até que se chegue ao metal de interesse puro. Dependendo do material de partida, sejam resíduos de alto ou baixo teor, e também do metal o qual se deseja refinar, como ouro, prata ou platina, os processos sempre têm como umas das últimas etapas a redução (metalização) do metal.

Existem algumas formas mais conhecidas para fazer com que ouro e prata em solução sejam reduzidos (metalizados), como por exemplo a utilização de metabissulfito de sódio e açúcar, respectivamente. Porém, existem outros compostos que também são capazes de reduzir esses metais, cada qual com suas vantagens e desvantagens.


Figura 1. Ouro e prata reduzidos, prontos para fundição.

Redução de prata com formaldeído (formol)


O formol é um produto químico muito utilizado na indústria e na área biomédica, sendo encontrado em fertilizantes, desinfetantes e cosméticos. Porém, ele também consegue reduzir o óxido de prata em solução formado com a adição de hidróxido de sódio (NaOH) ao cloreto de prata, podendo ser utilizado em vez de açúcar. Sua vantagem é que durante a reação, ele se converte em CO2 e é liberado do líquido, não deixando produtos da reação em solução.


Figura 2. Reação de redução da prata com formaldeído.

Sua desvantagem, porém, é que o formol é conhecidamente perigoso, classificado como Grupo 1, ou seja, é um agente comprovadamente cancerígeno a seres humanos. Além de ser nocivo à saúde, o formol não é seletivo e reduzirá outros metais que estiverem misturados ao óxido de prata, assim contaminando o produto final.


Redução de prata com ferro


O ferro é um dos metais mais conhecidos e utilizados no mundo todo. Ele também é um dos métodos utilizados para a transformação do cloreto de prata em prata metálica, tanto utilizando palha de aço ou pregos em solução de ácido sulfúrico. Como a prata é um metal mais ‘nobre’ do que o ferro, ela irá reduzir enquanto que o ferro irá dissolver.


Figura 3. Palha de aço ou pregos que contém ferro podem reduzir o cloreto de prata em prata metálica.

Este método gera resíduos de ferro em solução e também é possível que fragmentos de ferro fiquem junto da prata em pó, porém ele pode ser utilizado na purificação de grandes quantidades de prata por não gerar tanto volume de efluente quanto o refino por soda cáustica e açúcar.


Redução de prata com cobre


O cobre também é um metal bastante conhecido por suas diversas aplicações. Uma delas também é a redução da prata, porém a prata na forma de nitrato (AgNO3). Da mesma forma que o ferro, a prata irá reduzir e o cobre irá se dissolver. A solução irá ficar com uma coloração esverdeada, por causa do nitrato de cobre dissolvido, e com o pó de prata precipitado no fundo.


Figura 4. O cobre irá dissolver e a prata em solução irá reduzir.

Redução do ouro com ácido oxálico

O ácido oxálico é um ácido orgânico utilizado como removedor de ferrugem, na obtenção de corantes e no branqueamento de couros e papéis. Ele também é capaz de reduzir o ouro, geralmente ouro que contém impurezas de metais do grupo da platina ou na repurificação do ouro para a obtenção de uma maior pureza.


Figura 5. O ácido oxálico é um sólido cristalino e incolor capaz de reduzir o ouro em soluções com pH mais elevado.

Sua vantagem, como já dito anteriormente, é a remoção de metais do grupo da platina que possam estar junto com o ouro, porém o ácido oxálico não é tão eficiente como o metabissulfito para a remoção de prata e cobre.


Redução de ouro com sulfato ferroso


O sulfato ferroso é um composto bastante utilizado como precursor de corantes e de suplementos nutricionais, mas ele também pode servir como um agente redutor do ouro.

No refino de metais, o sulfato ferroso é um agente redutor do ouro igual o metabissulfito de sódio, porém com características diferentes. Entre suas vantagens estão a não liberação de gás SO2, não precipitação de cloreto cuproso quando adicionado em excesso e também pode ser utilizado em soluções de ouro muito "sujas".


Figura 6. O sulfato ferroso é encontrado mais comumente na sua forma heptahidratada, um sólido cristalino de cor verde-azulado.

Sua desvantagem em relação ao metabissulfito é que o ouro precipitado não é tão puro quanto, sendo possível fazer uma repurificação do ouro. Também é necessário utilizar 5 vezes mais sulfato ferroso do que metabissulfito para precipitar a mesma quantidade de ouro.


Redução do ouro com dióxido de enxofre

O dióxido de enxofre é um gás denso, incolor, não inflamável e altamente tóxico, com sua principal utilização sendo a manufatura de ácido sulfúrico, o qual é um importante produto, sendo utilizado mais na produção de fertilizantes (cerca de 60%).

No refino de metais, o SO2 pode ser utilizado diretamente para a precipitação do ouro. Como é um gás, ele é borbulhado na solução de aqua régia que contém o ouro dissolvido até todo o ouro precipitar. A precipitação feita dessa forma costuma produzir ouro de pureza elevada. Porém, o SO2 é um gás altamente tóxico, então seu uso costuma ser evitado.

Figura 7. O dióxido de enxofre é normalmente obtido pela combustão de enxofre elementar e pela queima de sulfetos. Na imagem, temos uma foto do enxofre puro.

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